Treze de Setembro, sete e doze. Você estava atrasada para seu cursinho de pré-vestibular. Levantou correndo do colchão em que dormíamos, que ficava no canto do quarto, perto da janela que dava pro beco da boate, que era do lado do nosso prédio. Colocou uma blusa e foi cambaleando até o banheiro, começou a escovar os dentes e logo lembrou que deveria comer e depois escova-los. Você sempre fazia isso de manhã, quando estava atrasada, se enrolava e acabava fazendo tudo de trás pra frente. O gato miava, tentando participar de toda aquela agitação. Eu criava forças para sair de baixo daquela montanha de cobertores que me abrigava de uma maneira tão acolhedora. Você voltou correndo da parte do kitnet que denominamos como cozinha e me alcançou uma caneca que havia ganhado do seu pai, com o logo de sua empresa de seguro, com café forte e amargo dentro, bem do jeito que você gosta, e que com o tempo, eu aprendi a gostar também. Vestiu sua calça jeans rasgada, calçou seu all star surrado, voltou até a cama, me deu um beijo com sabor de amor e foi para o curso. Me deixou sozinha naquela manhã, indo para seu cursinho e me deixando a sós com o gato no apartamento até as onze e vinte quando voltaria para casa com os livros de física avançada debaixo do braço e uma sacola de supermercado com pão de forma integral e verduras para que pudéssemos almoçar sanduíche como toda Quarta-Feira. Nossas semanas passavam assim, simples e descontraídas, e sabe de uma coisa? Eu não gostaria que fosse de qualquer outro jeito que não fosse o nosso, com qualquer outra pessoa que não fosse você.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Quarta-Feira é dia de sanduíche integral.
Aquele seu amigo, sabe?
Olhamos para alguém e classificamos ele como seu conhecido, sabemos seu nome, reconhecemos seu perfume e sabemos que na festa de natal, do ano passado, ele bebeu um pouco mais da conta e teve que ser carregado até um taxi para que pudesse voltar pra casa.
Olhamos para outro alguém e o classificamos como seu amigo, sabemos o seu nome, reconhecemos seu perfume, que ocasionalmente é o mesmo que seu primo usa, então sempre que vai nas reuniões de família, sente o aroma e se lembra de tal amigo, também sabemos que no verão passado, caiu durante uma partida de paintball e torceu o tornozelo, causando ele a não poder comparecer a sua festa na piscina.
E aí olhamos para outra pessoa, alguém especial, podemos até classifica-lo como uma amizade verdadeira. Sabemos o seu nome, junto com o apelido que seu avô, que hoje já está morto, havia lhe dado quando tinha apenas sete anos, reconhecemos seu cheiro natural, o puro aroma de sua pele, sem que nenhum perfume tenha feito contato com ela e também sabemos de sua pintinha na sola do pé, junto com uma quase simetricamente idêntica no canto da nuca, que raramente chama a atenção de qualquer um que o conheça. Perceba que essas pequenas coisas são o que diferenciam conhecidos, amigos e amizades verdadeiras. Para-se ter uma amizade verdadeira, você precisa colocar algum esforço em conhecer a pessoa, conhecer esses pequenos detalhes sobre ela, essas coisas que nem ela mesma se lembra, essa são as coisas mais importantes para se manter uma amizade. Porque quando alguém começa a esquecer quem realmente é, um amigo de verdade está lá para relembrar.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Apaixonada por você, na sua forma "livro" de ser.
Gostaria que você fosse um livro, para que pudesse virar suas paginas, sublinhar as partes que mais gosto sobre você e dobrar a ponta das folhas para não esquecer os melhores momentos. Poder contar aos meus amigos o quão maravilhoso você é. Iria te guardar numa estante, perto da minha cama, aonde eu sempre pudesse recorrer para tentar fugir da minha realidade. Eu te leria de novo e de novo, como se fosse o único livro que tivesse. Te levaria a todo lugar comigo, porque você me faria feliz, do jeito que escolhe as palavras e deixa com que elas formulem paragrafos e capítulos, expressando tudo que pensa de uma maneira com que minha mente é alimentada por todo seu conhecimento e sabedoria.
Dedicatórias fofas, para uma pessoa especial.
Não sou muito boa em muitas coisas, como por exemplo:
Não consigo bolar pinturas mirabolantes com técnicas de tinha aquarela, nem ao menos colorir dentro das linhas de desenhos infantis.
Não consigo pensar em um futuro mais promissor do que viajar por aí, fotografando os pequenos detalhes do mundo ou passeando por cidades desconhecidas com uma kombi.
Não consigo esfriar a sopa com um assopro só e nem enrolar o macarrão no garfo.
Não consigo deixar apenas um ursinho em cima da minha cama, o que dirá meus braços juntos ao meu corpo enquanto estou deitada.
Não consigo ficar de meia enquanto durmo, mesmo que esteja aquele frio horrível de inverno Porto Alegrense, elas sempre acabam escorregando do meu pé e caindo no abismo entre a cama e a parede.
Não consigo acender um fósforo e nem acertar qual é a torneira de água quente.
Não consigo pegar um ônibus da minha casa até a sua, muito menos do meu bairro até o centro.
Mas das poucas coisas que consigo, algumas delas são:
Fazer você sorrir depois que briga com a sua mãe sobre aquela prova de filosofia boba.
Comprar doces e aparecer na sua casa com sacolas e mais sacolas de porcaria que provavelmente não farão bem nenhum ao seu aparelho.
Te ligar no meio da madrugada, aos prantos, implorando por algum consolo depois da crise de depressão que acaba de ter.
Alugar filmes de terror dos anos noventa para assistir numa Sexta-Feira a noite junto com sua cachorrinha que já estava velinha e mal conseguia levantar do sofá.
Escrever historinhas nas ultimas paginas dos seus cadernos da escola para sempre que fosse estudar, lesse aqueles contos engraçados e lembrasse que a vida não precisava sempre ser uma porcaria de uma revisão para o vestibular.
Te levar para festas em lugares que nunca se quer pensou em frequentar, para que finalmente conhecesse aquela garota dos seus sonhos que fosse te dar todo aquele carinho que você tanto desejava de uma namorada.
Desenhar nas fotos dos nossos antigos anuarios da escola, fazendo coraçõezinhos em quem já fomos "apaixonadas" e coroas em professores que tinham as melhores piadas.
Eu posso não ser boa em algumas coisas, posso não saber cozinhar ou conseguir te ajudar com os deveres de física, mas no final do dia, quando vou deitar a cabeça no travesseiro, me lembro que te faço sorrir e mesmo sendo cheia de defeitos e imperfeições, consigo arrancar uma risada de você, então quer saber? Dane-se, jogo todos os meus problemas e defeitos pela janela, porque pelo menos consigo te fazer feliz e pra mim, isso já é o suficiente, porque afinal, pra quem servem melhores amigas, não é mesmo?
Não consigo bolar pinturas mirabolantes com técnicas de tinha aquarela, nem ao menos colorir dentro das linhas de desenhos infantis.
Não consigo pensar em um futuro mais promissor do que viajar por aí, fotografando os pequenos detalhes do mundo ou passeando por cidades desconhecidas com uma kombi.
Não consigo esfriar a sopa com um assopro só e nem enrolar o macarrão no garfo.
Não consigo deixar apenas um ursinho em cima da minha cama, o que dirá meus braços juntos ao meu corpo enquanto estou deitada.
Não consigo ficar de meia enquanto durmo, mesmo que esteja aquele frio horrível de inverno Porto Alegrense, elas sempre acabam escorregando do meu pé e caindo no abismo entre a cama e a parede.
Não consigo acender um fósforo e nem acertar qual é a torneira de água quente.
Não consigo pegar um ônibus da minha casa até a sua, muito menos do meu bairro até o centro.
Mas das poucas coisas que consigo, algumas delas são:
Fazer você sorrir depois que briga com a sua mãe sobre aquela prova de filosofia boba.
Comprar doces e aparecer na sua casa com sacolas e mais sacolas de porcaria que provavelmente não farão bem nenhum ao seu aparelho.
Te ligar no meio da madrugada, aos prantos, implorando por algum consolo depois da crise de depressão que acaba de ter.
Alugar filmes de terror dos anos noventa para assistir numa Sexta-Feira a noite junto com sua cachorrinha que já estava velinha e mal conseguia levantar do sofá.
Escrever historinhas nas ultimas paginas dos seus cadernos da escola para sempre que fosse estudar, lesse aqueles contos engraçados e lembrasse que a vida não precisava sempre ser uma porcaria de uma revisão para o vestibular.
Te levar para festas em lugares que nunca se quer pensou em frequentar, para que finalmente conhecesse aquela garota dos seus sonhos que fosse te dar todo aquele carinho que você tanto desejava de uma namorada.
Desenhar nas fotos dos nossos antigos anuarios da escola, fazendo coraçõezinhos em quem já fomos "apaixonadas" e coroas em professores que tinham as melhores piadas.
Eu posso não ser boa em algumas coisas, posso não saber cozinhar ou conseguir te ajudar com os deveres de física, mas no final do dia, quando vou deitar a cabeça no travesseiro, me lembro que te faço sorrir e mesmo sendo cheia de defeitos e imperfeições, consigo arrancar uma risada de você, então quer saber? Dane-se, jogo todos os meus problemas e defeitos pela janela, porque pelo menos consigo te fazer feliz e pra mim, isso já é o suficiente, porque afinal, pra quem servem melhores amigas, não é mesmo?
Aquela primeira vez.
Aquela vez que tu veio aqui em casa, uma das primeiras vezes, se não me engano. Eu estava tão nervosa que parecia que ia vomitar todo café da manhã nos meus sapatos desgastados. Tinha feito o almoço,na verdade tinha chamado minha amiga pra passar depois da escola lá em casa e me ajudar a dar uma arrumada no lugar, batata sorriso e nuggets. Quando o interfone tocou minhas pernas ficaram bambas, a menina dos meus sonhos estava na portaria do meu prédio, esperando eu deixar ela subir pra almoçar comigo. Era muita coisa passando pela minha cabeça, meu nervosismo pode parecer bobo agora, mas na hora estava dominando meu corpo. Pedi para o porteiro te deixar subir, enquanto tu entrava no elevador, eu corri pro banheiro, me olhei no espelho, respirei fundo e pensei "É agora". Por mais clichê que isso pareça, falei isso mesmo, por uma fração de segundo consegui me acalmar, quando senti meu coração começar a desacelerar, ouvi o toque rápido da campainha. Tava na hora. Fui correndo atender, te vi ali na entrada da minha casa, aquela calça larga, aquela blusa não tão justa porem não tão solta no corpo, seus tênis amarrados com aqueles cadarços meio soltos e nos seu ombro, a alça da tua bolsa de pano, que sempre carregou pra todo lugar. Naquele momento tudo que eu conseguia fazer era sorrir, você me olhou com aquele seu olhar despreocupado e um pouco cansado e me cumprimentou, eu virei um pouco a cabeça, ainda sorrindo e te abracei, seu cabelo tinha cheiro de girasol, provavelmente dos incensos que tua mãe acendia pela casa. Tu foi até o meu enorme sofá da sala e eu fui buscar nosso almoço. Me lembro direitinho, que quando fui te entregar o prato com batata consegui ver minha mão tremendo com todo aquele nervosismo, acho até que você notou, porquê tentou conversar sobre coisas divertidas pra tentar me deixar mais relaxada. Depois que a gente terminou de comer, ficamos lá batendo papo, tu me ensinou um pouco sobre astrologia, e me contou de como gostava de tocar flauta, quando tu eventualmente cansou de falar, cê deitou no meu colo, simples assim, escorregou a bunda no sofá e deitou a cabeça nas minhas pernas que estava em perna-de-índio. Meu instinto natural foi tocar no seu cabelo, era macio, que nem cabelo de neném, sabe? Acho que você gostou, porquê até fechou os olhos, mas não foi como se estivesse com sono, foi mais como se estivesse feliz, satisfeita, desfrutando daquele momento de carinho. Você sempre ficou tão linda de olhos fechados, passava a impressão de calma e serenidade. A gente ficou assim por um tempo, eu e você ali naquele sofá de couro macio. De vez em quando alguma de nós falava alguma coisa ou outra, mas não chegávamos a formar um dialogo concreto, eram só palavras que soltávamos no ambiente, para que não nos sentíssemos estranhas, não que nós mesmas estivéssemos sentindo alguma coisa alem daquele afeto todo, mas aquele medo da outra achar o clima esquisito rondava nossas mentes. Aquele dia foi um dos melhores dias que já passamos juntas, quase não me lembro dos nossos assuntos, ou se rimos ou apenas conversamos, mas me lembro que aquela hora, aquela hora depois que eu fechei a porta do apartamento, quando você entrou correndo no elevador porquê havia recebido uma ligação urgente e precisava chegar em algum lugar, foi a hora que eu senti que você não seria apenas uma paixonite boba que iria passar conforme o tempo. Você seria algo que ficaria comigo, faria uma barraca com almofadas e lençóis no meu coração e junto com suas xícaras de chá quente, moraria ali dentro, me mantendo segura e feliz, de um jeito que com o tempo, descobri que só você conseguiria manter.
00:00
Agora é meia noite em ponto, deveria estar dormindo, deveria ter revisado meu caderno para a prova de historia que vou ter amanhã, deveria ter tomado meu remédio para gripe e deveria ter arrumado o quarto como minha mãe havia pedido. Mas tudo que consigo pensar é em você e suas frases de musicas dos Strokes, não conseguia tirar aquele seu jeito de bater o pé no chão e tocar sua bateria imaginaria quando a musica chega na parte animada, também não conseguia esquecer quando eu fiquei irritada porquê você não me dava atenção enquanto tentava contar a historia de como caí no balanço quando era pequena e quebrei a perna, você me puxou pelo braço e começou a dançar comigo no meio do chão do meu quarto, que estava coberto com roupas sujas e sapatos sem pares. Quando a musica terminou nos jogamos na cama, você deu um suspiro e virou pra mim. Continuei olhando pro teto por alguns segundos, quando fui virar pro seu lado para que você pudesse falar o que obviamente estava perturbando sua mente. Você colocou a cabeça no meu ombro, de um jeito que tinha que manter minha cabeça na mesma posição, não podendo fazer contato visual. Depois de alguns minutos silenciosos em que tudo que conseguia ouvir eram nossas respirações, você inclinou a cabeça em direção a meu ouvido e disse as palavras que, inconsistentemente, mais queria ouvir naquele momento. Agora já é meia noite e doze e tudo que consigo pensar é em como você havia cochichado aquelas palavras doces como menrengues de festas infantis no meu ouvido, duvido que ele jamais irá se recuperar, duvido que ele jamais irá querer ouvir as mesmas palavras de qualquer pessoa que não seja você. Meia noite e quinze e o jeito com que seus labios haviam dito "Eu te amo" não consegue sair dos meus pensamentos.
Assinar:
Postagens (Atom)