sábado, 25 de maio de 2013

Ás suas calças rasgadas.

Você entende porque canetas nanquim são maravilhosas, entende porque amo tanto O Hobbit, entende a minha mente confusa e minha fascinação pelo David Bowie ... Não te conheço, não tanto quanto gostaria mas sei que passa suas tardes chuvosas lendo livros que acha escondidos nas estantes da biblioteca publica, nos dias de sol, saí para seu jardim e brinca com os insetos que acha pelas folhas. Você é tão maravilhosa, mas acho que nem percebe. Gostaria de poder te dizer o quanto você me impressiona mas acho que não conseguiria, pois se eu abrisse minha boca para te falar todas essas coisas que admiro em você, iria querer beijar esses seus lindos lábios rosados. Mas infelizmente não posso, porque você nem deve lembrar que na primeira vez que eu te vi, perguntei aonde tinha conseguido aquela camisa do The Black Keys e estava incrivelmente nervosa porquê você era exatamente o tipo de pessoa que eu admirava por conseguir manter seu mundo inteiro, sob controle, dentro da mente. Então por mais que eu quisesse beijar você, não vou chegar perto da sua boca, pelo menos não até eu conhecer você, ou descobrir seu nome.

Não esquece que cê é incrível.


Meu amor, você é toda linda, carinhosa, maravilhosa e incrível. Cê fala as coisas mais maravilhosas desse mundo, coisas que nem em um milhão de anos eu pensaria. Tipo, sua aula de matemática foi "mágica", ou tipo, que teve um orgasmo, só de escutar alguma musica. Você é engraçada, mas não de um jeito "normal" mas de um jeito diferente, você tem todo esse humor, que é só seu, diferente do de todo mundo. Você também é irresponsável, mas ao mesmo tempo, super responsável, gosta de coisas que sabe que te fazem mal, mas mesmo assim tenta não faze-las, não só por você, mas por mim também. Mesmo as pessoas sendo ridículas com você, e as vezes até te tratando mal, você continua querendo o bem delas. Porque você é assim, por mais que reclame das pessoas, quer o bem de todo mundo. Eu só não digo que você é perfeita, porquê as pessoas usam essa palavra demais, geralmente com coisas que nem merecem tal elogio, e a palavra acaba perdendo seu sentido e virando de certa forma, banal e sem o sentido que deveria ter. Mas você é incrível, maravilhosa, fascinante e toda vez que eu penso em você, e nessa pessoa que você é, eu subitamente preciso recuperar o fôlego só de pensar em quão encantadora você é. 

domingo, 19 de maio de 2013

It's late, you should get some sleep.

Close your eyes. 
Lay your head on my chest.  
Can you hear it? Can you hear my heart beating? 
It's beating for you, you know.

Acho que tudo nesse mundo se resolve com beijos e cigarros.


Entre aqueles beijos com gosto de saudade e abraços confortáveis, a gente fez uma pausa. Você pegou um dos meus cigarros, acendeu com um isqueiro azul bebe, enfiou a cabeça pra fora da janela e deu sua primeira tragada, ajeitando sua touca que impedia seu cabelo de atrapalhar sua visão. O jeito com que você segurava o cigarro, e dava lonas tragadas, fazia com que me apaixonasse ainda mais por você. Acho até que nem notou, o jeito que eu te olhava, enquanto você admirava as pessoas que passavam pela rua, na frente do prédio. Era como se aquele simples cigarro te relaxasse como nenhuma outra coisa. Deu um ultimo trago e deixou a ponta do cigarro cair pela janela. Respirou fundo e se virou pra mim. Tentei olhar pro lado, disfarçar que estava completamente maravilhada pelos fios de cabelo bagunçados que saiam pelos lados da toca, camisa xadrez meio aberta, mostrando um pedaço do seu sutiã e olhar de "ah, bem melhor agora, depois desse cigarro.". Eu dei um sorriso, tentando te mostrar o quanto você era linda, com os olhos. E você perguntou, "que foi?" Rindo, com um sorriso suspeito. Respondi que nada, só estava olhando. Peguei sua mão e te puxei pra mais um beijo, afinal, já estava ficando com saudade deles. Mais tarde me toquei, que naquele momento, aquele mesmo, em que você estava contaminando seus pulmões, eu te amei, um pouquinho mais, do que eu te amei naquela mesma tarde. Mas não porque te vi fumar, e sim porque você estava lá, compartilhando esse momento de recaída da nicotina comigo, e pra mim, isso foi realmente, muito especial. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Ai, como eu amo seu cheiro.


O cheiro que você deixa nas minhas coisas, como lembretes de que esteve ali, são os melhores cheiros do mundo.
O cheiro que você deixa no meu travesseiro, depois de ter ficar encostada nele a noite toda.
O cheiro que você deixa no meu blusão, depois de ter ficado deitada nele enquanto víamos um filme.
O cheiro que você deixa nas minhas mãos depois que passei todo aquele tempo mexendo no seu cabelo.
O cheiro que você deixa no meu quarto depois de chegar da escola e está exalando o maravilhoso cheiro do seu perfume.
O cheiro que deixa no meu cabelo, depois que passou um tempo acariciando minha cabeça.
Todos esses cheiros, que você deixa por aí, para me lembrar do seu rosto sorridente, a noite quando não consigo dormir e você é a única coisa na minha mente.

Me diz que sou seu café quente pela manhã.


Não quero ser seu mundo todo. Eu ficaria feliz em ser seu café quente, que toma pela manhã, suas chaves de casa com seus chaveiros de bonequinhos, ou até mesmo, sua carteira com seus cartões e aquela foto de identidade em que você acha que está feia, porem está mais linda do que nunca. 
Quero ser algo de certa forma, insignificante, mas se você por acaso perder, comprometeria seu dia inteiro.

Me conta


Me conta sobre o que você pensa a noite, quando não consegue dormir. 
Me conta sobre como você tem medo de morrer, mas mais ainda de viver.
Me conta sobre como você odeia poesia, e como adora livros, mas não tem paciência pra ler eles inteiros.
Me conta sobre Deus, sobre o que você acredita, sobre como acha que tem uma força maior cuidando de nós. 
Me conta sobre a primeira vez que beijou alguém, e estava tão nervosa que mal consegue se lembrar quem era. 
Me conta sobre como não toma leite, a não ser que seja achocolatado. 
Me conta sobre como não chama seu pai de "pai", nem de qualquer outro nome incluindo o do próprio, alias, não chama ele de nada, porque nunca o chama. 
Me conta sobre como foi entrar no banheiro e encontrar sua irmã com os pulsos cortados no chão, dentro do chuveiro. 
Me conta sobre seu medo de aranhas, e como acha que elas são fascinantes apesar de ter muito medo delas. 
Me conta tudo, 
Me conta qualquer coisa. 
Mas me conta. 
Porque eu quero saber, quero saber dos segredos mais obscuros aos mais encantadores. Quero entender sua mente, quero te ajudar a decifra-la. Me conta os seus segredos, suas memórias, seus pesadelos... Conta, vai, eu também conto os meus.

domingo, 12 de maio de 2013

"I belong with you, you belong with me, you're my sweetheart"

Vem aqui pra casa meu amor, divido essa cama toda só com você, até porque, deitar nela não é a mesma coisa sem você deitando comigo. Comprei mais toddynho e tô morrendo de saudade. Ontem sonhei contigo, mas aquelas poucas horas de sono não foram suficientes pra acabar com essa dorzinha no coração. Eu peço pro porteiro te deixar subir direto, até porque essa semana, aquele porteiro esquisito que você não gosta tá aqui, aí você nem precisa falar com ele. Coloco The Lumineers pra tocar e você canta aquela parte da musica "I belong with you, you belong with me, my sweetheart" pra mim, a gente dança, canta, ri, aproveita esse tempo que temos juntas. Vem meu amor, vem pra cá, vem pra mim. Mas deixa suas preocupações aí, porque delas, você não vai precisar.

domingo, 5 de maio de 2013

Então, acho que é isso.


Acho que todo escritor quando realmente sofre com alguma coisa, pega essa dor, usa como inspiração e escreve sobre isso. Eu não gosto muito de escrever (ou pelo menos mostrar para os outros) sobre minha dor, mas acho que faz parte do processo de superação e coisa e tal, então lá vai, o meu único texto a imensa dor que me causou quando disse que queria que te deixasse em paz. Eu escrevi esse texto milhares de vezes na minha cabeça, se pudesse mandava só pra você, mas não quero que você se sinta obrigada a responder, todas as vezes que organizei as palavras para formas as sentenças, não conseguia tirar uma coisa da minha mente: não esquece de ver se escreveu tudo direitinho. Se você encontrar algum erro ortográfico aqui, desculpinha, tá bom? Talvez, quem sabe você não ache nenhum erro, talvez você leia com amor e nem se preocupe com coisas bobas como acentos e concordâncias. Enfim, ainda consigo sentir rastros do seu cheiro nas minhas coisas, não consigo decidir se isso é uma coisa boa ou não. Então não vou comentar muito sobre como amava dormir com você do meu lado, sentindo o seu cheirinho, mas acho que disso você já sabia, porque eu te contei de como a noite em que dormi com sua camisa foi a noite mais bem dormida de toda minha vida. Ou será que não te contei? Não sei se vou conseguir dormir bem sem receber suas fotos fazendo carinha de neném e caretas, ou até mesmo sem receber um "boa noite, amo você" que tanto estava acostumada a receber. Mas isso é normal, não é? Nenhum final de "relacionamento" é fácil, mesmo a gente não chamando de relacionamento, mesmo sendo aquela coisa esquisita que só nós duas entendíamos. Ficar se sentindo mal assim, deve ser normal. Claro que você foi um pouco brusca com as palavras, mas você tava irritada, eu entendo, faz sentido você estar com raiva, até porque, dessa vez era pra dar certo, dessa vez era pra tudo ir bem. Você já deve saber que doeu, né? Não só o que disse, mas tudo que aconteceu. E não preciso dizer que chorei que nem um bebê, porque sabe como eu sou, meio sentimental demais, mesmo parecendo durona, sou um docinho por dentro. Então não vou ficar aqui escrevendo sobre como eu me senti, até porque não quero te fazer sentir mal, não é justo com você. Mas queria te pedir pra não esquecer, que você é maravilhosa, toda maravilhosa. Do cabelo cumprido (ou curtinho), aos ombros (que são lindos, por sinal), a sua barriguinha (que me faz querer te morder), suas coxas (que são perfeitamente normais, e nem tente discutir), aos seus pés (que mesmo tento vergonha, são uma das coisas que mais gosto em você), você é maravilhosa em todos os sentidos meu amor, de bom ou mal humor, querendo me socar ou não, dengosa ou apenas querendo tirar um cochilo na minha cama... Maravilhosa, simplesmente, curiosamente, incrivelmente, completamente, maravilhosa. E eu não pretendo deixar de te amar tão cedo, mesmo não podendo mais reparar as coisinhas que você faz enquanto dorme, tipo mexer o nariz ou chacoalhar a perna, eu ainda vou te amar. Toda vez que escutar Cícero ou "You had me at hello", vou lembrar de você e como me fazia tão tão feliz. Mesmo não existindo mais "nós", queria te dizer que te amo, alem do que possa explicar com qualquer beijo, presente ou em qualquer texto, e queria te agradecer. Obrigada por esses dias que a gente passou juntas, você me explicando como as coisas funcionam, me apresentando filmes antigos que são de morrer (por sinal, finalmente consegui ver Across the Universe, e entendo o porque de você gostar tanto), me levando pra comer cachorro quente ou hambúrguer de rua, cuidando de mim quando fiquei muito doente, aquela vez, resmungando sobre como não acha a tecla "command" no seu computador e me amando, a cima de tudo, me amando. Obrigada por tudo, desde nossa primeira briga, a ultima vez que disse eu te amo. Desculpa por te magoar, te deixar irritada ou fazer você sentir qualquer outra coisa alem de felicidade, desculpa mesmo, cê sabe que essa nunca foi minha intenção, tudo que eu queria era te ver sorrir. E agora eu vou, mesmo que não seja comigo, você vai ser feliz de agora em diante, ok? Fica bem, e não esquece que você é maravilhosa, e eu te amo, eme-t eme-t eme-t.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Fica um pouco mais, que tal mais um café?


Fica. Não vai não, fica aqui.
Tá tarde, eu sei. Mas fica comigo em baixo desse cobertor grandão, eu coloco o cd do Esteban pra tocar de novo e tu finge que acabou de chegar. Ainda tem biscoito recheado na dispensa, tem até clube social. A gente joga video-game de novo, tu me ensina como se joga e quem sabe me deixa ganhar essa partida. Fica mais um pouco, eu te pergunto como anda tua gatinha e discutimos as melhores musicas do Marcelo Camelo, não entendo muito de mpb, mas tu me ensina, aproveita e me ensina também sobre geografia e biologia. Da tempo sim, não se preocupa. Me conta aquela historia, aquela de como tu costumava andar de bicicleta com teus primos quando era pequena, outra historia também serve, pode ser qualquer uma, não importa, gosto de todas. Deita aqui no meu colo, faço um cafuné na tua orelha, tu dorme rapidinho, prometo que te abraço se tu tiver algum pesadelo. Se quiser podemos sentar na varanda, a noite tá linda, o brilho do seu sorriso é quase ofuscado pelo o das estrelas, quase. Larga esse celular, finge que não viu ninguém ligar, ignora essas mensagens. Quer deitar na minha cama? Eu vou junto, fico do teu lado, tu me abraça e fala que meu cabelo tá bagunçado. Abre meu armário, procura uma camisa que fique larga em ti e vê se a cor combina com teus olhos, aproveita que tá por aí e abre a gaveta de baixo também, tem umas blusas lisas que tu vai adorar. Tá com fome? Eu faço uma torrada e um café, ou se quiser, tu faz o café, até porque, duvido que iria conseguir acertar o café do jeito que tu gosta. Relaxa, não temos pressa. Se estiver com frio, tenho um moletom pra te imprestar, mas se quiser também pode andar enrolada no cobertor. Vai no banheiro então, mas não demora muito, porque já to com saudade. Vamos sentar no chão do quarto, me conta um segredo que conto outro. Te ensino a tocar violão, toco uma musica pra ti, pode escolher, a que tu quiser, eu toco. Encosta a cabeça no meu ombro, não precisa chorar, eu sei que as coisas tão dando errado, mas eu to aqui. Segura minha mão, pode apertar se quiser, deixa eu limpar essas lagrimas, tu fica muito mais bonita quando tá sorrindo. Que horas são? Me conta aquela piada do bode de novo? Mas tem que fazer a voz engraçada. Quer ver outro filme? A gente volta pra sala, coloca travesseiros nos acentos do sofá, pra ele não ficar tão duro e sua bunda não ficar dolorida. Eu deito no teu peito, escuto tua respiração e teu coração batendo. Como eu adoro isso. Olho pra cima vejo que tu já pegou no sono, com a cabeça encostada no sofá e uma expressão de serenidade no rosto.
Tá vendo? Ainda da tempo, senta aqui de novo, não precisa se estressar. Espera aí, vou pegar um cd pra você ficar mais calma, falando nisso... Quer biscoito?

Meu amor é teu mas dou-te mais uma vez


Ah meu amor, já nem sei mais o que te dizer... Falo que te amo mas essas palavras não me parecem suficiente. Gostaria que houvesse um modo de expressar todo esse amor que sinto nesse meu coração. As vezes falo que te amo muito, mas mesmo assim não é o suficiente. Como posso te explicar? Como posso te provar? Te xingo, te magoou, te esnobo mas isso tudo não quer dizer que não te amo. Desculpa se não respondi a mensagem, desculpa se esqueci de fazer o que me pediu, desculpa se dei mole, sem querer, para alguém. Desculpa meu amor, eu te amo, mesmo errando, mesmo não estando sempre de bom humor, eu te amo a toda hora e a todo momento. E eu te admiro por me aguentar quanto to triste, irritada ou querendo um pouco mais carinho do que geralmente quero, sou toda errada, você sabe. Mas mesmo assim você continua aqui, do meu ladinho, junto comigo, então sei lá, te amo com todo meu coração, com todas as minhas forças. Te amo hoje, te amo amanha e te amo no final de semana, quando você provavelmente estará sentada na minha cama tomando toddynho, mexendo no meu computador e possivelmente rindo com alguma postagem boba. Mesmo que eu não saiba como me expressar e te dizer o quanto te amo... Eu te amo, então por favor, não esquece, não esquece que você mora dentro do meu coração, cê tá aqui dentro, sempre aqui dentro. 

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Tomo tuas dores pra mim, só pra te ver sorrir.

Queria poder pegar todas essas dores que tu sente nesse teu coraçãozinho de menina e coloca-las no meu bolso. Se elas não couberem nele, eu guardo as no meu coração, mesmo que sejam muitas, mesmo que sejam dolorosas, eu guardo elas comigo. Porque nenhuma dor nesse mundo todo, é pior do que a dor que eu sinto quando vejo te triste e não posso fazer absolutamente nada, para aliviar essa tristeza toda.

Fala baixinho, pra ninguém conseguir escutar o quanto você me ama.


Sempre achei
que beijos a meia noite
dados naquele
universo paralelo 
que criávamos debaixo das cobertas, 
o qual só nós duas sabíamos sobre a existência, 
sempre foram melhores
do que aqueles que dávamos na frente dos nossos amigos, 
onde todos podiam ver o jeito 
que me puxava com uma mão
pelo quadril,
e com outra
pela nuca,
para perto de você,
enquanto eu me encantava 
com seus lábios macios
e o doce gosto da sua boca.

Papai.


Antigamente eu achava que estava sendo menina mais velha acordando "tarde", como minha irmã, por acordar as dez, numa manhã de Sábado. Correria para o quarto dos meus pais, pularia na cama deles até meu pai levantar, tomar banho, colocar uma calça de moletom, uma camiseta e me levar até o mercado que ficava perto da nossa casa, para comprarmos balinhas fini e pipoca para os Domingos a noite. Domingos a noite, eram sempre a melhor parte da semana, alugávamos um filme de terror e lá pelas nove e pouco, um pouco antes do Fantástico começar, começávamos a assistir o dvd. Eu, com meu cobertor rosa e meu pato de pelúcia grudado ao meu peito, ficávamos praticamente em cima do meu pai, que fazia carinho no meu cabelo e na minha nuca. Mais ou menos pela metade do filme nos tocávamos que não havíamos feito a pipoca, algum de nós descia as escadas do apartamento até a cozinha, colocávamos a pipoca no microondas e esperávamos ela estourar por completo, sempre tínhamos que tirar um pouco antes daqueles três minutos que o pacote aconselhava, pois o microondas era muito potente e não sabíamos diminuir a intensidade porque ele tinha sido comprado naquela viajem que fizemos para Italia, obviamente nenhum de nós lia em italiano, então quando nos lembrávamos de tirar a comida antes do tempo, com sorte ela não queimava. Quando a pipoca ficava pronta, era colocada naquela vasilha que eu tanto adorava, pois tinha aqueles desenhos de pimentas malaguetas, corríamos de volta para o segundo andar, quase tropeçado nos degraus da escada. Meu pai apertava "play" e o filme voltava a rodar. De repente, todo medo que eu sentia por causa do assassino, ou monstro do pântano que aparecia na televisão, ia embora com aquela pipoca sabor manteiga de cinema. 
Hoje em dia mal consigo comer uma refeição junto ao meu pai, sei lá, ele já não parece mais o mesmo, eu também não sou a mesma menininha que esperava acordada ele chegar das viagens de trabalho, junto com um cartão de boas vindas. Sinto falta do meu pai de antes, sinto falta de dizer que ele era a única pessoa que conseguia me fazer rir de verdade. Ele ainda me faz rir, mas não é a mesma coisa, sabe? Não sei explicar direito o porque de eu não achar ele o homem mais incrível do mundo como antes, ou o porque de me irritar tão facilmente com tudo que diz. Só sei que quero voltar aos finais de semana que passávamos juntos, quero voltar as noites de Domingo, assistindo filmes de terror junto dele e do meu patinho de pelúcia.