segunda-feira, 29 de abril de 2013

Aquela primeira vez.


Aquela vez que tu veio aqui em casa, uma das primeiras vezes, se não me engano. Eu estava tão nervosa que parecia que ia vomitar todo café da manhã nos meus sapatos desgastados. Tinha feito o almoço,na verdade tinha chamado minha amiga pra passar depois da escola lá em casa e me ajudar a dar uma arrumada no lugar, batata sorriso e nuggets. Quando o interfone tocou minhas pernas ficaram bambas, a menina dos meus sonhos estava na portaria do meu prédio, esperando eu deixar ela subir pra almoçar comigo. Era muita coisa passando pela minha cabeça, meu nervosismo pode parecer bobo agora, mas na hora estava dominando meu corpo. Pedi para o porteiro te deixar subir, enquanto tu entrava no elevador, eu corri pro banheiro, me olhei no espelho, respirei fundo e pensei "É agora". Por mais clichê que isso pareça, falei isso mesmo, por uma fração de segundo consegui me acalmar, quando senti meu coração começar a desacelerar, ouvi o toque rápido da campainha. Tava na hora. Fui correndo atender, te vi ali na entrada da minha casa, aquela calça larga, aquela blusa não tão justa porem não tão solta no corpo, seus tênis amarrados com aqueles cadarços meio soltos e nos seu ombro, a alça da tua bolsa de pano, que sempre carregou pra todo lugar. Naquele momento tudo que eu conseguia fazer era sorrir, você me olhou com aquele seu olhar despreocupado e um pouco cansado e me cumprimentou, eu virei um pouco a cabeça, ainda sorrindo e te abracei, seu cabelo tinha cheiro de girasol, provavelmente dos incensos que tua mãe acendia pela casa. Tu foi até o meu enorme sofá da sala e eu fui buscar nosso almoço. Me lembro direitinho, que quando fui te entregar o prato com batata consegui ver minha mão tremendo com todo aquele nervosismo, acho até que você notou, porquê tentou conversar sobre coisas divertidas pra tentar me deixar mais relaxada. Depois que a gente terminou de comer, ficamos lá batendo papo, tu me ensinou um pouco sobre astrologia, e me contou de como gostava de tocar flauta, quando tu eventualmente cansou de falar, cê deitou no meu colo, simples assim, escorregou a bunda no sofá e deitou a cabeça nas minhas pernas que estava em perna-de-índio. Meu instinto natural foi tocar no seu cabelo, era macio, que nem cabelo de neném, sabe? Acho que você gostou, porquê até fechou os olhos, mas não foi como se estivesse com sono, foi mais como se estivesse feliz, satisfeita, desfrutando daquele momento de carinho. Você sempre ficou tão linda de olhos fechados, passava a impressão de calma e serenidade. A gente ficou assim por um tempo, eu e você ali naquele sofá de couro macio. De vez em quando alguma de nós falava alguma coisa ou outra, mas não chegávamos a formar um dialogo concreto, eram só palavras que soltávamos no ambiente, para que não nos sentíssemos estranhas, não que nós mesmas estivéssemos sentindo alguma coisa alem daquele afeto todo, mas aquele medo da outra achar o clima esquisito rondava nossas mentes. Aquele dia foi um dos melhores dias que já passamos juntas, quase não me lembro dos nossos assuntos, ou se rimos ou apenas conversamos, mas me lembro que aquela hora, aquela hora depois que eu fechei a porta do apartamento, quando você entrou correndo no elevador porquê havia recebido uma ligação urgente e precisava chegar em algum lugar, foi a hora que eu senti que você não seria apenas uma paixonite boba que iria passar conforme o tempo. Você seria algo que ficaria comigo, faria uma barraca com almofadas e lençóis no meu coração e junto com suas xícaras de chá quente, moraria ali dentro, me mantendo segura e feliz, de um jeito que com o tempo, descobri que só você conseguiria manter. 

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