quarta-feira, 1 de maio de 2013

Papai.


Antigamente eu achava que estava sendo menina mais velha acordando "tarde", como minha irmã, por acordar as dez, numa manhã de Sábado. Correria para o quarto dos meus pais, pularia na cama deles até meu pai levantar, tomar banho, colocar uma calça de moletom, uma camiseta e me levar até o mercado que ficava perto da nossa casa, para comprarmos balinhas fini e pipoca para os Domingos a noite. Domingos a noite, eram sempre a melhor parte da semana, alugávamos um filme de terror e lá pelas nove e pouco, um pouco antes do Fantástico começar, começávamos a assistir o dvd. Eu, com meu cobertor rosa e meu pato de pelúcia grudado ao meu peito, ficávamos praticamente em cima do meu pai, que fazia carinho no meu cabelo e na minha nuca. Mais ou menos pela metade do filme nos tocávamos que não havíamos feito a pipoca, algum de nós descia as escadas do apartamento até a cozinha, colocávamos a pipoca no microondas e esperávamos ela estourar por completo, sempre tínhamos que tirar um pouco antes daqueles três minutos que o pacote aconselhava, pois o microondas era muito potente e não sabíamos diminuir a intensidade porque ele tinha sido comprado naquela viajem que fizemos para Italia, obviamente nenhum de nós lia em italiano, então quando nos lembrávamos de tirar a comida antes do tempo, com sorte ela não queimava. Quando a pipoca ficava pronta, era colocada naquela vasilha que eu tanto adorava, pois tinha aqueles desenhos de pimentas malaguetas, corríamos de volta para o segundo andar, quase tropeçado nos degraus da escada. Meu pai apertava "play" e o filme voltava a rodar. De repente, todo medo que eu sentia por causa do assassino, ou monstro do pântano que aparecia na televisão, ia embora com aquela pipoca sabor manteiga de cinema. 
Hoje em dia mal consigo comer uma refeição junto ao meu pai, sei lá, ele já não parece mais o mesmo, eu também não sou a mesma menininha que esperava acordada ele chegar das viagens de trabalho, junto com um cartão de boas vindas. Sinto falta do meu pai de antes, sinto falta de dizer que ele era a única pessoa que conseguia me fazer rir de verdade. Ele ainda me faz rir, mas não é a mesma coisa, sabe? Não sei explicar direito o porque de eu não achar ele o homem mais incrível do mundo como antes, ou o porque de me irritar tão facilmente com tudo que diz. Só sei que quero voltar aos finais de semana que passávamos juntos, quero voltar as noites de Domingo, assistindo filmes de terror junto dele e do meu patinho de pelúcia.

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