Fica. Não vai não, fica aqui. Tá tarde, eu sei. Mas fica comigo em baixo desse cobertor grandão, eu coloco o cd do Esteban pra tocar de novo e tu finge que acabou de chegar. Ainda tem biscoito recheado na dispensa, tem até clube social. A gente joga video-game de novo, tu me ensina como se joga e quem sabe me deixa ganhar essa partida. Fica mais um pouco, eu te pergunto como anda tua gatinha e discutimos as melhores musicas do Marcelo Camelo, não entendo muito de mpb, mas tu me ensina, aproveita e me ensina também sobre geografia e biologia. Da tempo sim, não se preocupa. Me conta aquela historia, aquela de como tu costumava andar de bicicleta com teus primos quando era pequena, outra historia também serve, pode ser qualquer uma, não importa, gosto de todas. Deita aqui no meu colo, faço um cafuné na tua orelha, tu dorme rapidinho, prometo que te abraço se tu tiver algum pesadelo. Se quiser podemos sentar na varanda, a noite tá linda, o brilho do seu sorriso é quase ofuscado pelo o das estrelas, quase. Larga esse celular, finge que não viu ninguém ligar, ignora essas mensagens. Quer deitar na minha cama? Eu vou junto, fico do teu lado, tu me abraça e fala que meu cabelo tá bagunçado. Abre meu armário, procura uma camisa que fique larga em ti e vê se a cor combina com teus olhos, aproveita que tá por aí e abre a gaveta de baixo também, tem umas blusas lisas que tu vai adorar. Tá com fome? Eu faço uma torrada e um café, ou se quiser, tu faz o café, até porque, duvido que iria conseguir acertar o café do jeito que tu gosta. Relaxa, não temos pressa. Se estiver com frio, tenho um moletom pra te imprestar, mas se quiser também pode andar enrolada no cobertor. Vai no banheiro então, mas não demora muito, porque já to com saudade. Vamos sentar no chão do quarto, me conta um segredo que conto outro. Te ensino a tocar violão, toco uma musica pra ti, pode escolher, a que tu quiser, eu toco. Encosta a cabeça no meu ombro, não precisa chorar, eu sei que as coisas tão dando errado, mas eu to aqui. Segura minha mão, pode apertar se quiser, deixa eu limpar essas lagrimas, tu fica muito mais bonita quando tá sorrindo. Que horas são? Me conta aquela piada do bode de novo? Mas tem que fazer a voz engraçada. Quer ver outro filme? A gente volta pra sala, coloca travesseiros nos acentos do sofá, pra ele não ficar tão duro e sua bunda não ficar dolorida. Eu deito no teu peito, escuto tua respiração e teu coração batendo. Como eu adoro isso. Olho pra cima vejo que tu já pegou no sono, com a cabeça encostada no sofá e uma expressão de serenidade no rosto. Tá vendo? Ainda da tempo, senta aqui de novo, não precisa se estressar. Espera aí, vou pegar um cd pra você ficar mais calma, falando nisso... Quer biscoito?
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Fica um pouco mais, que tal mais um café?
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