domingo, 13 de outubro de 2013

É Sexta, meu amor.





Agora mesmo ela deve estar do lado de fora de algum bar medíocre, com uns três ou quatro amigos, que ela mal costuma sair. Tomando cerveja do bico de uma garrafa de seja o que for que os trocados que ela tinha no bolso, permitiram ela a comprar. Afinal, é Sexta-Feira, e ela, bom ela é ela.
Enquanto ela flerta com a garota entrando no bar, usando meias sete-oitavos e uma camisa do Sonic Youth, eu tô aqui. Em casa, escrevendo poesias baratas em todos os pedaços de papel que eu encontrei na bolsa. Eu já tentei ligar pra ela umas mil vezes e ela insiste em desligar o telefone na minha cara em todas elas."Fala comigo, por favor." eu cochicho pra mim mesma enquanto eu rezo pra que dessa vez, ela não desligue. Nona vez que eu ligo pra ela, ela atende e diz; "Eu não quero falar com você" e desliga o telefone. 
A única menina que jamais conseguiu fazer com que eu sinta amor de verdade, não quer mais falar comigo. Eu precisava dizer, precisava dizer que eu amava ela e que todas as brigas que a gente já teve, não foram nada comparadas com o conflito interno que eu tenho, por amar alguém tanto assim. Mas ela não entende, ninguém nunca entende, alias, ela entendia. Aí ela ficou cansada, cansada de mim, cansada da rotina de passar as manhas, tardes e noites comigo, imaginando possibilidades de coisas que nunca iriam acontecer. Quem sabe foi isso que fez com que ela não quisesse mais entender meu caos. Mas ela entendia, ela sabia exatamente como funcionava esse negócio de ser totalmente e completamente estragada. Ela sabia porque ela também era, por trás daqueles óculos de antiquário e cabelo sempre bagunçado, tem uma menina que sabe exatamente como é se sentir absolutamente sozinha nesse mundo. Acho até que foi por isso que eu me apaixonei por ela, me apaixonei pela bagunça dela, por toda aquela dor que não conseguia escapar. 
A menina que eu vou sempre amar, não quer mais falar comigo, e eu acho que vou ter que me acostumar com isso, porque é assim que as coisas são, não é? Pessoas vem e vão e tudo que sobra é como você se sentiu, ou se sente agora.
É, acho que é assim que Sexta-Feiras, sozinha em casa, funcionam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário